Quebrada Tech http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br Como a vida dos moradores das periferias vem sendo impactada pela revolução digital que transformou as relações sociais, econômicas, culturais e políticas? É isso que o coletivo de jornalismo Desenrola E Não Me Enrola vai contar aqui no blog, trazendo histórias diretamente de quebrada para você conhecer de maneira mais aprofundada esse contexto social que mescla recursos mobile, consumo, comportamento, redes sociais e inovação. Thu, 20 Feb 2020 11:28:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Sem sinal? Paraisópolis cria operadora de celular para atender moradores http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2020/02/19/sem-sinal-paraisopolis-cria-operadora-de-celular-para-atender-moradores/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2020/02/19/sem-sinal-paraisopolis-cria-operadora-de-celular-para-atender-moradores/#respond Wed, 19 Feb 2020 07:00:44 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=396

Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo e abriga mais de 100 mil moradores (Léo Britto/DiCampana Foto Coletivo)

O desgaste que os moradores já passaram com diversas operadoras de celular vão de planos de adesão de pacotes de dados com valores fora de contexto à má qualidade de sinal dentro da quebrada. Essas falhas na prestação de serviço deram origem a Paraisópolis Celular, iniciativa que vem atuando não só para vender serviços, mas também para trazer dignidade para quem mora na segunda maior favela de São Paulo.

Por Tamires Rodrigues e Ronaldo Matos

Investir em infraestrutura de cabeamento de fibra óptica, aumentar o número de antenas de transmissão de sinal de celular e criar planos de adesão de pacotes de dados e ligações para atender a demanda dos moradores de uma favela ainda é uma realidade distante das estratégias de mercado das grandes operadoras de celular no Brasil. Mas como fica a vida dos moradores que precisam do celular para se conectar com o mundo?

Uma resposta para este cenário surgiu em novembro de 2019, quando nasceu a Paraisópolis Celular, uma operadora de celular própria da segunda maior favela de São Paulo, que abriga mais de 100 mil moradores.

“O que acontece no mundo inteiro não chega aqui em Paraisópolis, como os aplicativos de bicicleta e patinete. A nossa internet aqui não é tão boa. Algumas empresas não colocam cabeamento aqui porque acham que as pessoas vão roubar . A comunidade tem o acesso aos serviços limitado, como se a gente não fizesse parte da cidade”, diz Gilson Rodrigues, presidente da Associação Comercial de Paraisópolis.

Operando há quatro meses na comunidade, a operadora de celular vende  em média de 1.400 a 1.500 chips por mês. “É isso que a gente percebe para o futuro: tudo que não for possível e que a cidade tem acesso, a gente quer que a cidade informal construa, e isso que a gente tá buscando”, afirma Rodrigues.

A operadora atua por meio de uma parceria entre a Associação Comercial de Paraisópolis e empresa de tecnologia brasileira Dry Company.

A Dry Company fornece o suporte técnico e a estrutura tanto da rede de telefonia como do funcionamento da loja, por meio de uma rede compartilhada, que utiliza rede de outras operadoras no modelo MVNO (Mobile Virtual Network Operator ou operador móvel virtual). Já a Associação Comercial atua para construir uma boa experiência de usuário junto aos moradores, fazendo a comunicação do serviço. Um dos diferenciais do negócios é que parte da renda é destinada a projetos sociais da comunidade.

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Usa mais telefone do que internet

Durante o pouco tempo que a operadora de celular está ativa, já foi possível identificar alguns comportamentos característicos dos moradores. Segundo Ronaldo Yoshida, diretor da Dry Company , 53 % da população de Paraisópolis têm parentes nas regiões nordeste e no norte do Brasil, que não têm celulares tão sofisticados. Por isso, os moradores da quebrada costumam usar mais ligações de telefone do que internet para se comunicarem. “Eles precisam falar. Lá os parentes têm telefones simples, não vão usar planos de dados”, diz Yoshida.

Atualmente a operação da Paraisópolis Celular é voltada somente para o pré-pago. Os planos são caracterizados para ligação em qualquer DDD ilimitado , com planos que vão de R$ 20 a R$ 75. Todos  os pacotes incluem WhatsApp ilimitado e acúmulo de benefícios –caso o cliente não use todo seu plano no mês, ele pode acumular para o mês seguinte.

“Foi um desafio grande, é o primeiro projeto desse tipo no mundo, é um projeto inovador. Se você procurar no mundo todo, não vai existir nada igual”, afirma o diretor.

Hoje a empresa tem um aplicativo para o usuário final. A operadora busca parcerias com empresas para disponibilizar  benefícios no app, como descontos em rede de farmácias e outros comércios.

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Susto com celular sem sinal

Umas das pessoas que se beneficia dos serviços oferecidos pela operadora é Conceição Leide , moradora que tem uma loja de variedades dentro de uma galeria, em Paraisópolis, Ela conta que quando usava outras operadoras tradicionais do mercado, o sinal não pegava dentro da loja, e todas as vezes que precisava acessar a internet ela tinha que sair da loja e ir para rua.

Outra experiência da moradora retrata a importância do sinal de celular em casos de emergência. “Meu filho passou mal na escola e não conseguiram falar comigo, porque o celular não pega aqui. Aí minha amiga veio me avisar”, afirma Conceição.

Conceição ainda comenta que gostou da internet oferecida pela operadora Paraisópolis, mas tem algumas ressalvas. Ela acredita que ainda tem poucos pontos de recarga na favela e vem encontrando algumas dificuldade quando precisa fazer uma recarga urgente.  “Fica mais complicado quando eles não estão abertos, aí a gente não consegue fazer recarga.”

A moradora acredita que o fato de Paraisópolis ter uma rede própria de celular é uma vantagem. “A gente precisa ter várias coisas aqui para a comunidade ir usufruindo e melhorando mais. Uma rede de celular para a gente aqui é muito bom, principalmente se ela funcionar melhor que as outras.”

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O que a tecnologia poderia resolver na sua quebrada em 2020? http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2020/02/05/o-que-a-tecnologia-poderia-resolver-na-sua-quebrada-em-2020/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2020/02/05/o-que-a-tecnologia-poderia-resolver-na-sua-quebrada-em-2020/#respond Wed, 05 Feb 2020 07:00:11 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=383

A equipe do Quebrada Tech conversou com quatro gestores de projetos de base tecnológica que atuam nas periferias de São Paulo para escutar deles como a tecnologia poderia colaborar para resolver demandas urgentes dos moradores nos territórios onde atuam

Por Tamires Rodrigues e Ronaldo Matos

Não é de hoje que nas periferias de São Paulo acontece um movimento puxado por moradores que resolvem dedicar parte da sua vida profissional a solucionar problemas em seus bairros, por meio da criação de iniciativas que tem a tecnologia como principal plataforma de impacto social.

Criar plataformas de comunicação digital para divulgação de produtos e serviços, gerar espaços de produção de conhecimento sobre inovação tecnológica,  instalação de praças de wi-fi em locais descentralizados nos bairros, aprimorar a estrutura da educação pública, combater a violência contra a mulher e ampliar a distribuição de serviços de internet são algumas das demandas estruturantes apontadas por gestores de projetos de tecnologia que também são moradores da periferia.

Essas áreas citadas pelos entrevistados precisam ser alvo de ações do poder público em parceria com os empreendedores de tecnologia que almejam transformar para melhor o cotidiano do morador da quebrada. É o que conta Carla Prates, cofundadora do e-Bairro, plataforma de negócios locais que conecta empreendedores do Jardim São Luís, zona sul da cidade, ao enfatizar as suas preocupações com a educação pública e a violência contra a mulher.

“Gostaria que a tecnologia pudesse resolver as deficiências de educação no ensino fundamental e médio, tendo como pressuposto a educação popular e humanista, para que as pessoas se tornassem protagonistas da própria história. Outra problemática que a tecnologia poderia se propor a resolver é a da violência, sobretudo contra a mulher”, diz Prates.

A conectividade entre os moradores também é assunto recorrente na preocupação dos gestores. O empreendedor Ascanio Caracciolo, fundador de uma empresa que fornece internet de fibra óptica para moradores do Jardim Ângela, conta que “seria bom para nossa região aumentar o número de praças com wi-fi, para quem não tem condição de acessar internet gratuita”.

Caracciolo defende a instalação de pontos de acesso de internet nas linhas de ônibus da quebrada. “Os ônibus que têm wi-fi circulam mais no centro da cidade e são grandes. Os daqui da quebrada têm tamanho normal e não têm internet. E se colocasse nas peruas seria bom também.”

O músico Fábio Miranda, criador do projeto Periferia Sustentável, um laboratório que difunde tecnologias de sustentabilidade, preservação do meio ambiente e energias renováveis, reconhece que muitos moradores da quebrada, por falta de espaços de produção de conhecimento, ainda possuem dificuldade para ver a tecnologia como um meio de produção e soluções de problemas e não somente como produto final.

“Vejo ainda a tecnologia como algo que as pessoas não se sentem capazes de ter acesso ou muito menos achar que tem potencial e a capacidade de desenvolver ‘techs’ de baixo custo, onde é possível trazer soluções básicas para potencializar o espaço onde vivem”, diz Miranda.

Ele sinaliza a importância de impactar a autoestima dos moradores com a criação de espaços de aprendizagem para difusão da cultura das tecnologias open source. “As tecnologias abertas podem trazer essa segurança, onde teremos espaços como o  Periferia Sustentável, voltado para criação e desenvolvimento de ‘techs’ funcionais, onde todos são capazes de encontrar seu ‘professor Pardal’ interno e trabalhar numa rede de ideias e soluções.”

Atento aos impactos da crise econômica na vida de quem mora nas periferias, o empreendedor Bruno Nunes, criador da plataforma JOGA, aposta que a geração de renda e trabalho nas periferias poderia ser melhorada se existisse “um canal com maior divulgação de serviços, lojas e produtos que estão dentro das comunidades”.

Nunes relata que além da dificuldade natural de ter um negócio, a falta de comunicação entre os serviços e os moradores faz com que eles optem por serviços mais conhecidos, não valorizando a mão de obra da própria comunidade. “Um dos pontos mais importantes é que se a grana da comunidade for revertida para as próprias lojas e serviços da comunidade, pode gerar um aumento de renda no próprio local, além de desenvolver financeiramente pequenos negócios”, afirma.

Um ponto em comum chama a atenção nos depoimentos dos empreendedores entrevistados: todos eles deixam de expor um olhar mais centrado para a sua própria iniciativa, para destacar uma preocupação com melhorias que visam um bem comum na vida dos moradores da quebrada. Isso retrata uma característica importante nesses profissionais, que é o olhar para o outro na hora de pensar qual tipo de impacto a tecnologia precisa gerar na vida das pessoas em 2020.

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Projeto usa líder tribal e fé para preparar negros para o mercado de TI http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/12/18/projeto-usa-lider-tribal-e-fe-para-preparar-negros-para-o-mercado-de-ti/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/12/18/projeto-usa-lider-tribal-e-fe-para-preparar-negros-para-o-mercado-de-ti/#respond Wed, 18 Dec 2019 07:00:26 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=362

Equipe do projeto Educafro Tech (Divulgação)

O Educafro Tech está desenvolvendo parcerias com empresas e incubadoras que atuam no setor de tecnologia de informação para formar e empregar a população negra e LGBT+

Por Tamires Rodrigues

O mercado de tecnologia de informação tem um alto potencial de geração de empregos no Brasil. Com o atual cenário de desemprego no país, a Educafro, organização que há 40 anos promove a inclusão da população negra em universidades públicas e particulares, percebeu que havia um campo a ser explorado. Foi assim que surgiu o Educafro Tech, projeto voltado para a formação e empregabilidade de negros, negras e LGBT+ no mercado de TI.

“Nós debatemos com as empresas sobre a exclusão do negro no mercado de trabalho. E todas as empresas disseram que não tinha negros se formando em TI. Então decidimos encarar o problema e criamos a Eduacafro Tech”, conta Frei David Santos, diretor da associação.

A terceira turma do projeto conta com 60 alunos que farão uma imersão em estudos sobre TI e métodos ágeis. Dez vagas são destinadas a participantes quilombolas, indígenas e/ou de outros estados, com custeio de estadia. O projeto oferece laboratórios equipados e jantar para os participantes.

As aulas são realizadas num formato intensivo, onde os participantes aprendem técnicas, conceito e práticas de tecnologia da informação, conectadas com o debate sobre cidadania e questões étnico-racial.

“Queremos em três ou quatro meses oferecer pessoas preparadas com qualidade para as empresas”, afirma.

A Educafro Tech estuda parceria com empresas para conseguir espaço de sala de aula para formar mais alunos. “A NovoLab, em São Carlos (interior de São Paulo), é uma incubadora que trabalha com 57 empresas e reservou espaço para 12 alunos do Educafro Tech. Eles vão poder vivenciar esse aprendizado dentro desse ambiente de tecnologia”, diz Santos.

Para que os alunos tivessem uma maior identificação com o conteúdo, os professores do projeto Edimilson Nascimento e Luiz Augusto criaram uma metodologia própria que foi inspirada no chefe tribal Shaka Zulu.

 

Representação de Shaka Zulu de 1824 (Reprodução)

“Na sua época, Shaka Zulu (1787-1828) criou algumas inovações e estratégias militares. Os mais fortes faziam a base, os mais velhos faziam a retaguarda e davam conhecimento aos outros. Então a gente pensou: ‘cara, isso é manifesto ágil’. Eu sou de informática e vi toda estrutura do ágil naquilo. Por que não batizar a nossa metodologia de Shaka Zulu? É preciso ensinar forte, rápido e embasado, que só assim consigo dar emprego para essas pessoas”, diz Nascimento.

Segundo os professores, uma das maiores dificuldades nas aulas não é ensinar a técnica, e sim fazer com que seus alunos consigam se enxergar no mercado de trabalho de TI e como programadores. Pensando nisso, eles criaram um ritual nas duas primeiras semanas de curso para que eles consigam estabelecer um vínculo com a turma e auxiliar na evolução de aprendizagem.

“A gente usa um tempo pequeno para dois atos de fé. O primeiro ato de fé é para aquelas pessoas que acabaram de nos conhecer acreditarem de verdade que em duas semanas eu e o Edi seremos capazes de ensinar lógica de programação para eles. O segundo ato de fé é o mais importante: é as pessoas acreditarem que em duas semanas elas serão capazes de aprender lógica de programação. Se esses dois atos de fé forem cumpridos, não vai ter problema que a gente não resolva”, afirma Luiz Augusto.

Apesar do pouco tempo que o projeto existe, os professores já conseguem ver transformações sendo feitas nesse processo, com alunos que conseguiram entrar no mercado de trabalho.

“Uma aluna era gerente-geral de uma loja, que passou por uma reformulação. Aí ela ficou desempregada. Mesmo sendo uma pessoa com muita experiência e ter feito muitos cursos, não conseguiu recolocação. Ela ficou apavorada e decidiu mudar de ramo. Foi quando ela viu a proposta de profissionalizar negros no TI e abraçou a ideia. Hoje ela está indo muito bem como programadora”,  diz Santos.

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Quadra e até juiz! Plataforma ajuda boleiros a jogar sem sair da periferia http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/quadra-e-ate-juiz-plataforma-ajuda-boleiros-a-jogar-sem-sair-da-periferia/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/quadra-e-ate-juiz-plataforma-ajuda-boleiros-a-jogar-sem-sair-da-periferia/#respond Wed, 11 Dec 2019 07:00:06 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=344  

(Foto: Tamires Rodrigues)

A Joga atua como intermediadora entre os boleiros e o dono da quadra ou de campo de futebol localizados na periferia de São Paulo e, assim, facilitar a vida da galera que quer se encontrar, jogar bola e até fazer um churrasco

Por Tamires Rodrigues

Uma quadra ou um campo de futebol no meio da quebrada influenciam a maneira como moradores convivem e se organizam. A plataforma digital Joga acredita nisso e usou a tecnologia para transformar a magia do esporte em uma oportunidade orgânica de conectar pessoas e gerar renda. A plataforma faz a locação de espaços comunitários para eventos esportivos nas periferias, mas vai além.

A Joga atua como um buscador e indexador de quadras poliesportivas e campos de futebol. Mas na base do projeto está a crença de que o esporte pode mudar as pessoas, facilitando o acesso a espaços esportivos localizados na sua região para que não precisem ir muito longe para curtir momentos de lazer na companhia de amigos.

Na plataforma, o usuário pode buscar a quadra de acordo com a modalidade e região. O resultado mostra a distância exata de onde o usuário está até o local da quadra. O interessado também pode fazer uma pré-reserva, determinando o horário que deseja fazer uso do espaço. A plataforma entra em contato com o dono da quadra para acompanhar a visita.

Uma das histórias inspiradoras para a criação da plataforma aconteceu em um ponto de ônibus no centro de São Paulo. “Tinha várias minas que jogavam basquete no ponto de ônibus comigo. Aí eu perguntei: ‘vocês são do centro olímpico?’ Elas disseram que sim. Depois perguntei de onde elas eram. ‘Lá do Capão Redondo, e tem que pegar três ônibus para vir aqui e treinar, porque a quadra do centro é legal’, elas responderam. Foi aí que pensei: ‘caraca’, três dias por semana as pessoas vão fundo no esporte, mesmo com escola e família'”,  lembra Bruno Nunes, cofundador do projeto.

Sem investimentos para contratar uma equipe para ajudá-lo, Nunes mapeou e conheceu as quadras localizadas nas periferias de São Paulo durante o processo de construção da plataforma.

Além de descobrir quadras e campos de futebol que poderiam estar na plataforma, ele considera que transitar por diversos territórios para escutar histórias de moradores se tornou um dos principais diferenciais para o desenvolvimento do negócio.

“Nosso objetivo é facilitar para que a menina do Capão Redondo não precise necessariamente ir até o centro para jogar ou para o cara que joga do lado de casa possa ter algo a mais que precise”, diz.

Conectando empreendedores da quebrada

“O nosso público específico é o dono de quadra,  é para quem a gente presta o serviço”, afirma. Para lidar com esse público, a plataforma implementou um chatbot. Com a automação a Joga consegue simplificar o processo de tirar dúvidas para todos.

A Joga percebeu que, além do aluguel de quadra, existem outros serviços que possuem forte demanda. Pensando nisso ela se tornou uma intermediadora conectando desde o morador de quebrada que vende espetinho no entorno do espaço ao cliente  que quer montar um evento para final de campeonato.

“A gente viabiliza todos os serviços relacionados. O cliente chega e fala: ‘eu quero fazer um jogo, mas não temos uniforme’. A gente vai atrás do uniforme. ‘Eu quero fazer um jogo, mas não tem troféu’. A gente vai atrás do troféu. ‘Ah, preciso de um juiz’. A gente vai atrás do juiz. ‘Eu preciso de um churrasqueiro’. A gente vai atrás também”, conta Nunes., enxergando oportunidade de conectar empreendedores de quebrada e gerar renda.

Segundo Nunes, esses empreendedores ainda têm muitas dificuldades para lidar com a tecnologia, por isso, ele procura sempre atualizar a plataforma para que ela seja a mais didática possível.

O criador da plataforma está planejando implementar uma nova tecnologia, em que as pessoas que querem jogar e não tem um time consigam se comunicar através da Joga e formarem um time para disputar campeonatos ou apenas jogar por diversão.

“São as conexões que são feitas através de um treino, de um jogo compartilhado. Tem uma menina que quer jogar, ela treina com outras garotas e de lá sai um time e que pode disputar um campeonato. Você conhece uma pessoa que pode ser sua vizinha e você nem sabia que jogava bola, vôlei ou basquete. A ideia é conectar essas pessoas através do esporte. É um teste, mas acho que tem tudo para dar certo”, diz Nunes

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Jovem organiza correria para pegar ônibus com app e diminui sua ansiedade http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/jovem-organiza-correria-para-pegar-onibus-com-app-e-diminui-sua-ansiedade/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/jovem-organiza-correria-para-pegar-onibus-com-app-e-diminui-sua-ansiedade/#respond Wed, 04 Dec 2019 07:00:39 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=333

O estudante Gerson Abad verifica no app a localização da linha de ônibus que ele usa para ir e vir da faculdade (Foto: Tamires Rodrigues)

Jovem da periferia que depende do transporte público adota app de mobilidade urbana para agilizar sua vida e ainda reduz a sensação de ansiedade

Por Tamires Rodrigues

A jornada dupla e muitas vezes tripla dos moradores que vivem nas periferias de São Paulo se torna ainda mais cansativa quando eles não conseguem usufruir de um transporte público de qualidade. A espera infernal pelo ônibus de linhas que sofrem grandes atrasos ou o tempo gasto dentro dos coletivos, que gira em torno de 2 a 4 horas diárias, são desafios para os jovens da quebrada que têm que conciliar suas vidas profissional, acadêmica e familiar fazendo longos deslocamentos.

Atento aos impactos desse processo em seu cotidiano, o jovem Gerson Abad, morador do Jardim Coimbra, bairro localizado na zona sul da cidade, passou a utilizar algumas estratégias, como o uso de aplicativos de mobilidade urbana, que dá a possibilidade de chegar mais cedo em casa depois de uma longa jornada de trabalho e estudos para aproveitar melhor seu tempo com mais conforto e lazer.

A rotina profissional de Abad começa por volta das 9h na loja de seus pais, onde ela encerra as atividades às 16h. Então começa uma rotina de muita correria: toma banho, troca de roupa e segue para a faculdade. Mas para não chegar atrasado, ele calcula um trajeto que dura, em média, uma hora e meia, entre a quebrada e a faculdade.

O estudante de psicologia verifica atentamente no aplicativo Cadê o Ônibus se a linha do seu ônibus está se aproximando do ponto mais próximo de sua casa. Após se certificar que o coletivo está nas imediações, ele pega sua mochila, fone de ouvido e começa sua jornada, em busca do seu sonho em se tornar um psicólogo.

Abad argumenta que um dos maiores ganhos no seu dia-a-dia com o aplicativo é a redução de sua ansiedade, por ele poder acompanhar pelo celular onde o ônibus está e que horas irá chegar. Para ele, isso traz uma “sensação boa de controle”. “Ficar esperando ônibus durante uma ou duas horas é horrível! Você vendo onde o ônibus está pelo aplicativo facilita muito. Você vai acompanhando e isso diminui muito [a ansiedade], sabe? Eu fico pensando: ‘ah, tá lá na esquina, tá na outra esquina, tá a duas ruas daqui’.”

Essa rotina acompanha Abad em quase todos os dias da semana. Segundo ele, mexer no aplicativo não é algo pontual, mas sim um hábito que faz parte do seu cotidiano. “Eu uso todos os dias, mesmo para os ônibus que eu já conheço. E eu não gravo horário de ônibus, outro motivo para eu usar o aplicativo”, diz o universitário.

Gerson relembra que quando começou a mexer no aplicativo teve algumas dificuldades por não entender direito como a plataforma funcionava, com isso, ele começou a estudar como eram organizadas as linhas de ônibus. “No app você pode colocar o nome da linha ou o número da linha. Eu sempre procuro pelo número, porque tem muitos ônibus que podem ter o nome parecido”, afirma.

Além da periferia historicamente sofrer pela falta de planejamento de mobilidade urbana na cidade de São Paulo, as adversidades do transporte público geram impactos nocivos à população. Um ato simples como saber onde o ônibus está ou que horas você irá chegar em casa já representa uma ajuda enorme. Para o estudante, o benefício veio na forma de melhor qualidade de vida.

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Maquininha de cartão muda consumo e impulsiona negócios da quebrada http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/maquininha-de-cartao-impulsiona-os-negocios-da-quebrada/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/maquininha-de-cartao-impulsiona-os-negocios-da-quebrada/#respond Wed, 27 Nov 2019 07:01:59 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=311

Por Tamires Rodrigues

Todos os sábados, umas das primeiras coisas que Tatiane Rodrigues e seu filho Derik fazem é colocar um pagode para tocar, enquanto na cozinha de sua casa ela inicia a preparação da “feijoada da Tatiane”, famosa entre os vizinhos pelo sabor carregado de temperos e especiarias da cozinha baiana, estado de origem da empreendedora.

Quando o ponteiro do relógio marca meio-dia, os pedidos das primeiras entregas já estão anotados. Uma parte considerável dos clientes de Tatiane são moradores do Jardim Copacabana, bairro da zona sul de São Paulo, onde a empreendedora reside.  Hoje, a fama da sua feijoada já chegou aos bairros vizinhos.

A ideia começou a ganhar forma quando os vizinhos começaram a questioná-la sobre o motivo dela não abrir seu próprio negócio, montar um restaurante e expandir seu talento pela periferia de São Paulo. A partir dessa provocação, Tatiane começou a vender sua feijoada aos sábados para os amigos e moradores de outros bairros. “Ela já cozinhava bem e tinha essa vontade de ser autônoma, de se manter na sociedade que você vive”, afirma Derik Rodrigues, filho de Tatiane, que a auxilia nas vendas e entregas.

As tarefas são divididas em família, enquanto Tatiane está na cozinha preparando a comida, Derik está na rua com sua bike entregando os pedidos. Ele lembra que uma das maiores dificuldades no começo foi realizar o pagamento, pois muitos dos seus pedidos são pagos em cartão de crédito ou débito. Ao perceber essa tendência, eles solicitaram uma máquina para pagamento em cartão para continuar seus negócios. Mesmo assim, não foi fácil e outras dificuldades surgiram durante a fase de adaptação.

“Eu tive problema com a maquininha durante um tempo, tinha que conectar com Bluetooth do celular para ter internet e tal. Fazer isso em alguns lugares que não tinha sinal era complicado. Aí a gente entrou nesse processo de entender o que estava de errado e buscar uma forma de melhorar”, diz o entregador.

Depois de algumas pesquisas, eles resolveram trocar de maquininha para uma que possui mais recursos que se encaixam melhor às necessidades deles.

Por enquanto, eles aceitam poucas bandeiras de cartões de crédito e débito, mas já decidiram que irão ampliar a oferta de tipos de cartões que vão aceitar. Para eles, esta é uma evolução fundamental para aumentar o fluxo de vendas.

Poder de compra

No Jardim Rosana, do outro lado do Jardim Copacana, está localizado o “Ponto Certo Variedades”,  famoso mercadinho de quebrada que tem de tudo um pouco e que supre aquela demanda de última hora do morador do bairro. O estabelecimento é administrado por Maria Erilene, mais conhecida por “Leninha”,  e seu filho Ailton Taveira.

No começo do negócio, Leninha ia até a rua 25 de Março, no centro da cidade, para comprar roupas e acessórios para vender em seu bairro. Ao perceber o crescimento de pedidos de moradores do bairro, ela fundou sua própria loja na garagem de casa. Com o tempo, seu filho se juntou ao negócios.

“A gente teve uma ideia de colocar uma mercearia, porque muita gente estava pedindo arroz, feijão, essas coisas. Aí teve essa divisão, a gente dividiu a loja em dois segmentos. Na verdade tem tudo que a comunidade está precisando”, diz Taveira.

Para Ailton, a implementação de cartão de crédito permitiu às pessoas da região ter maior poder de compra. “Muita gente ali paga aluguel, tem que fazer feira, pagar conta de luz e fazer isso com um salário mínimo não dá. A gente teve esse problema em relação ao dinheiro. Por exemplo, as pessoas compravam uma peça de roupa que custa R$ 100, eles não conseguiam dar esses R$ 100 direto. Às vezes, a gente parcelava em duas ou três vezes, mas ia demorar três meses para receber esse valor. Com cartão facilita porque já recebe tudo de uma vez só”, diz.

O pagamento digital está cada vez mais influenciando o cenário econômico da quebrada, criando uma nova era de consumo. Os empreendedores já sentem os reflexos dessa transformação do comportamento de consumo dos moradores.

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Motorista da Uber conquista relações e histórias pela periferia de SP http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/motorista-de-aplicativo-uber-conta-historias-de-passageiros/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/motorista-de-aplicativo-uber-conta-historias-de-passageiros/#respond Wed, 20 Nov 2019 07:01:16 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=293

Motorista de aplicativo aprende com histórias de vida de moradores das periferias. (Foto: Tamires Rodrigues)

Motorista já realizou mais de 1.100 viagens com o aplicativo e construiu relações com seus passageiros. Após rodar dentro e fora das periferias, ele afirma: “Tenho história para contar o dia inteiro aqui.”

Por Tamires Rodrigues

“Ao entrar no carro sinta-se à vontade em, por exemplo, ligar o ar-condicionado ou o rádio. A rota é feita pelo GPS, mas estou à disposição caso queira utilizar algum caminho alternativo de sua preferência. Não sendo possível minha parada no local exato de sua solicitação por falta de vaga ou proibição de lei de trânsito, me encontrarei o mais próximo possível da sua localização com pisca-alerta ligado. Por favor, utilize o cinto de segurança, chegarei em breve. Desejo uma viagem cinco estrelas para nós. E não se esqueça de me avaliar, é muito importante para eu continuar com o atendimento. Cordialmente, Raphael, seu Uber.”

Assim é o primeiro contato que o motorista de aplicativo Raphael Ferreira, 34, morador do bairro Jardim São José, em Embu das Artes (SP), manda para seus passageiros antes de entrarem em seu carro. A mensagem, segundo ele, é o primeiro passo para criar um vínculo, mostrar cordialidade e interesse em estender o diálogo, buscando um atendimento personalizado e rico em histórias de viagens e experiências de vida.

Para o motorista, os efeitos de enviar a mensagem aos passageiros são visíveis: “Quando eu mando essa mensagem as pessoas já vêm com um sorriso no rosto, desarmadas, mas quando não mando a mensagem ela chega meio tensa”, diz.

A habilidade de comunicação surgiu durante os oito anos que Raphael trabalhou com vendas em lojas de calçados e roupas, quando teve que lidar com o público. Ele diz que sempre gostou de interagir com pessoas e viu no aplicativo a oportunidade  de aprofundar seu dom de cativar o próximo e gerar renda.

“Essa relação de passageiro e motorista muitas vezes se estende e se transforma em viagens longas. Por exemplo, eu atendo a funcionária de uma senhora, e hoje faço uma corrida particular para ela quase todos os dias”, diz Ferreira.

O motorista começou a trabalhar com Uber após perder o emprego na área de vendas. Na época, Ferreira se sentiu desiludido e começou a estudar novas possibilidades de aliar seus talentos a outras formas de atuação profissional e de geração de renda.

“Eu peguei o aplicativo como se fosse um quebra-galho, mas, na real, tem sido uma ótima ajuda”, afirma o motorista, que trabalha há quatro meses na Uber. Ele conta que nesse meio tempo passou pelo processo de adaptação à usabilidade do app, entendendo melhor como o sistema fornecia informações sobre os pontos com maior número de chamadas, bem como a configuração das áreas de risco.

Logo na primeira semana como motorista, Raphael tomou um susto. Ele atendeu uma passageira que foi extremamente grosseira. Mas aí veio sua experiência como vendedor que atendia clientes difíceis.

“Quando ela viu que o trânsito estava totalmente parado, mudou de personalidade e começou a mexer no meu perfil do aplicativo. Ela disse: Raphael, tô vendo aqui que você é casado e tem filho. Aí eu respondi: Sim, dona, bom dia. Era como se eu tivesse começado o atendimento do zero ali, entendeu?”, relembra.

“Achei que ela era uma passageira secreta da Uber e que estaria fazendo uma avaliação porque era a minha primeira semana no aplicativo”, diz.

O motorista já realizou mais de 1.100 viagens com o aplicativo, construindo relações com todos os passageiros. “Eu tenho história para contar o dia inteiro aqui”, afirma.

Ele teve a oportunidade de circular em diversos territórios nas quebradas da cidade de São Paulo e região metropolitana, fato que o ajudou a entender mais sobre a dinâmica de bairros como Capão Redondo, Jardim Ângela, Jardim São Luís e Paraisópolis, entre outros.

Esses dias mesmo, em um sábado à noite, Ferreira conta que levou um passageiro até Mauá (Grande São Paulo). Ao aceitar a corrida, ele ficou assustado por nunca ter ido ao lugar, mas seu espírito de descoberta foi maior. Então ele aproveitou a longa viagem para escutar a história do passageiro e, quem sabe, tirar alguma lição dela.

“Ele contou a história da vida dele todinha. Disse que já foi usuário de drogas e que durante a reabilitação decidiu mudar de cidade. Ele também conheceu a minha vida dentro do carro e perguntou: você é cristão, né? Falei que sim e começamos a conversar mais”.

  1. Hoje Ferreira tem como meta fazer de R$ 350 a R$ 400 por dia de trabalho. Ele diz que só vai embora para casa quando bate a meta. O tempo gasto dentro do carro normalmente varia de 10 a 12 horas.

Raphael diz que os feedbacks positivos que recebe após a corrida dão a sensação de que ele está entregando algum valor para o cotidiano dos seus passageiros. “Um dia, um passageiro desceu e disse que eu merecia mais que cinco estrelas. Eu fiquei tão feliz com isso”.

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Projeto para fortalecer jornalismo nas periferias vence desafio do Google http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/13/projeto-para-fortalecer-jornalismo-nas-periferias-vence-desafio-do-google/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/13/projeto-para-fortalecer-jornalismo-nas-periferias-vence-desafio-do-google/#respond Wed, 13 Nov 2019 16:03:21 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=283

Jardim Nakamura, bairro localizado no distrito do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo.

Grupo de Coletivos de Comunicação vão desenvolver solução para inovar o formato de distribuição de conteúdo jornalístico nas periferias. A iniciativa responsável por isso será a plataforma digital “InfoTerritório”, um dos projetos vencedores do desafio de Inovação do Google News Initiative na América Latina.

Por Ronaldo Matos

A partir de 2020, o conteúdo jornalístico produzido por iniciativas de comunicação das periferias de São Paulo ganhará um formato inovador de distribuição. Ele poderá ser acessado em pontos de grande circulação das quebradas paulistanas por meio de totens digitais.

Isso será possível graças a plataforma “InfoTerritório”, uma das 30 propostas selecionadas pelo Google em seu programa de inovação para o jornalismo na América Latina. Os vencedores do Google News Initiative foram divulgados nesta segunda-feira (11).

Como vai funcionar

Concebido pelas organizações Alma Preta, Desenrola e Não Me Enrola, Historiorama, Periferia em Movimento e Preto Império, o “InfoTerritório” busca resolver problemas de quem produz jornalismo a partir dos territórios periféricos. A elaboração de narrativas que representem bem as periferias, o alcance e impacto da audiência, além da sustentabilidade financeira dos negócios, são os desafios mais comuns.

Além da nova forma de divulgação das notícias, os coletivos também vão se unir para desenvolver uma plataforma de coleta de dados públicos para qualificar a produção de conteúdos relevantes que serão distribuídos de forma segmentada em totens espalhados nos quatro cantos da cidade.

Com a estruturação de um negócio, futuramente, a proposta é estender a plataforma a outras iniciativas jornalísticas das periferias de São Paulo e de outras localidades brasileiras.

Fortalecimento do jornalismo

Com o objetivo de acelerar a inovação no jornalismo e desenvolver novos produtos e modelos de negócio, o programa Google News Initiative recebeu mais de 300 inscrições de diversos projetos no Desafio de Inovação na América Latina – desde jornais centenários a nativos digitais recém-criados.

Dos 30 projetos aprovados na região, 12 são do Brasil. Além de “InfoTerritório”, outro projeto colaborativo com dez organizações (Agência Lupa, Agência Pública, Colabora, Congresso em Foco, Énois, Marco Zero Conteúdo, Nova Escola, O Eco, Ponte Jornalismo e Repórter Brasil) foi selecionado para criar um novo produto jornalístico em vídeo para atender às gerações mais jovens.

Já as iniciativas AzMina, Jota, Congresso em Foco e Abraji vão usar dados abertos governamentais na construção de novos produtos, cada um com um enfoque diferente.

Aos Fatos e Jornal do Commercio vão explorar, cada um, abordagens distintas para automatizar o processo de verificação de fatos. A Piauí vai desenvolver tecnologia para minerar seu acervo em busca das histórias com melhor chance de virar séries em plataformas digitais de vídeo.

Entre os jornais de circulação nacional, estão os jornais Estadão e O Globo, que vão explorar novas formas de engajamento, na personalização de conteúdo e com a participação de jovens, como forma de aumentar suas bases de assinantes.

Por fim, o Grupo Bandeirantes vai desenvolver uma ferramenta para acelerar o fluxo de trabalho de vídeo em redações que lidam com esse tipo de conteúdo.

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Confeiteira quer criar clube de clientes online na periferia http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/06/confeiteira-quer-criar-clube-de-clientes-online-na-periferia/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/11/06/confeiteira-quer-criar-clube-de-clientes-online-na-periferia/#respond Wed, 06 Nov 2019 07:00:00 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=276

Dona Maria José em sua casa de bolos no Grajaú, zona sul de São Paulo.

Quem frequenta a confeitaria da dona Maria se depara com um quadro em destaque no seu balcão de bolos e doces, que exibe um código QR code. A partir dele, os clientes podem acessar diversas promoções em um aplicativo, ganhando possibilidades de gastar menos e comprar mais

Por Tamires Rodrigues | Edição de Ronaldo Matos

Na confeitaria Armazém do Bolo, iniciativa criada pela dona Maria José, moradora do Grajaú, distrito da zona sul de São Paulo, a experiência de administrar o negócio em épocas do mês com baixo volume de vendas motivou a criação de uma estratégia para ampliar as vendas: a implantação de um aplicativo para facilitar formas de pagamento, divulgação de promoções e acessibilidade de novos clientes.

Observando que essa seria mais uma oportunidade de negócio para seu comércio, Maria José resolveu adotar essas tecnologias com o intuito de trazer novas formas de pagamento e driblar uma crise econômica que estava se estabelecendo em seu estabelecimento.

Qualquer usuário de smartphone que acessa as redes sociais ou vai até o local da casa de bolos só precisa de uma câmera de celular para realizar a leitura do QR code, um código visual em forma de quadrado que fica exposto em um quadro no interior do estabelecimento. Com ele dá para ler uma série de informações digitalizadas que são transferidas imediatamente para a tela do celular.

A confeitaria existe há 16 anos no mesmo local: uma esquina de grande movimento de público no centro comercial do Grajaú. Segundo Maria, no começo do negócio, tudo era tudo feito sem muita pretensão, pois não tinha muitos investimentos e seus clientes estavam se acostumando com as novas propostas de bolos que ela produzia. Na sua percepção, os sabores e formatos fugiam totalmente da cultura de consumo que os moradores do bairro estavam acostumados.

“Eu trabalho com qualidade e tem que ter um bom preço, mas as pessoas achavam que era muito caro e falavam: ‘nossa, seu bolo vale ouro'”, relembra a confeiteira sobre as primeiras impressões do público.

Ela enfatiza que a sua casa de bolos faz parte de uma mudança de comportamento de consumo dos moradores da região. “Naquela época, o pessoal estava acostumado com bolo tradicional, aqueles de fubá, então eu fui a primeira que abriu aqui, e aos poucos fui ganhando os clientes. Foi o boca a boca mesmo que deu certo.”

Ao observar que o movimento do comercio na região e a frequência na sua loja estavam caindo, ela pensou em novas possibilidades de comunicação para recuperar seus clientes.

Uma das soluções encontradas foi uma parceria com o Aplicativo Oferta Club, solução que ela resolveu implementar na loja para oferecer um cartão de fidelidade online. No app, o cliente pode realizar uma compra e acumular pontos, obtendo a partir daí a possibilidade de trocar a pontuação por outros produtos do estabelecimento.

Maria adotou a solução há duas semanas e percebe que as pessoas estão se adaptando à nova forma de consumo em seu negócio. “Até agora só duas pessoas passaram o cartão com esse aplicativo. Elas estão se acostumando, né”, afirma ela em tom de entusiasmo.

A equipe do Quebrada Tech entrou em contato com os desenvolvedores do App Oferta Club, para saber mais sobre o aplicativo. Um dos marcos para a criação da solução foi construir um aplicativo que substituísse aqueles cartões de fidelidade de papel e colocar tudo em um só banco de dados que coubesse na memória do celular, pensando justamente em atender às necessidades do cliente.

Histórias com a da dona Maria José mostram que a tecnologia ainda tem muito a contribuir com a atuação de pequenos empreendedores nas periferias. Boa parte da população ainda está desenvolvendo a cultura de consumir produtos por meio da tecnologia em seu próprio bairro. Esse processo está em fase de evolução graças à atuação de pessoas como a dona Maria José, que promove um tipo de engajamento que rede social nenhuma consegue efetivar: a afetividade natural do ser humano que vive em comunidades.

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Comparação de preço é a grande utilidade de wi-fi grátis no supermercado http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/10/30/comparacao-de-preco-e-a-grande-utilidade-de-wi-fi-gratis-no-supermercado/ http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/2019/10/30/comparacao-de-preco-e-a-grande-utilidade-de-wi-fi-gratis-no-supermercado/#respond Wed, 30 Oct 2019 07:00:59 +0000 http://quebradatech.blogosfera.uol.com.br/?p=269

Moradora percorre os corredores do supermercado com lista de mercadorias e celular em mãos para calcular o valor da compra.

Além de transformar o celular em uma calculadora digital, moradores não abandonam a tradicional lista de compras e exigem a criação de um comparador de preços online entre os mercados das periferias

Por Ronaldo Matos

Nos corredores de um grande supermercado da M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, moradores que fazem compras acompanhados de um membro da família segura na palma da mão uma lista de compras e na outra o celular, um aliado estratégico para calcular o valor da compra e se comunicar com o grupo de WhatsApp da família para difundir imagens de promoções e comparar preços de alguns produtos.

“O celular serve pra gente ter uma noção de valor total no momento de chegar ao caixa né”, afirma Gilson, morador do Jardim Ângela. Acompanhado da sua sobrinha Jessy, ele conta que a calculadora do celular ajuda também na administração dos preços de cada item da compra. “De repente a gente pega uma mercadoria calculando um valor e chegando lá dá outro. Então a gente já faz essa base de calculo para chegar lá e não ter que devolver a mercadoria.”

A dupla percorre os corredores do mercado comparando preços e produtos, no entanto, essa verificação permanece no interior da loja e não chega as páginas da internet, mesmo com o recurso de wi-fi grátis disponível no local. “Pra eu ser sincero, eu não pensei nisso ainda. Porque a nossa vida é tão corrida, que até calcular aqui, pesquisar no Google ou em outro site dá muito trabalho. Então a gente não está muito conectada com esse negócio ai não”, argumenta o morador.

Gilson acredita que acessar a internet somente não ajuda o consumidor a aprimorar o processo de compra. “A gente gostaria de passar em vários mercados e fazer uma lista dessas com produtos, para a gente chegar à conclusão de qual deles é mais barato, mas o nosso tempo é muito corrido.”

Gesso concorda com o seu tio e destaca que na periferia não é todo mercado que disponibiliza internet gratuita para os usuários. “Eu não sabia que tinha internet livre aqui. E também não é todo mercado que tem uma internet liberada para usar. Então a gente acaba não se preocupando em pesquisar nos sites por conta do sinal também.”

Em outro corredor do supermercado, a moradora Regina Eva enfatiza a importância de ter uma lista de compras pronta, para também utilizar o celular como uma calculadora, em busca de ter uma melhor noção do valor total da compra mensal e não se deparar com surpresas indesejáveis no momento de realizar o pagamento no caixa. “Eu olho a dispensa, faço a relação de produtos e já venho de casa com a lista pronta. Eu nunca pensei em comparar preços, eu uso o celular mais para calcular o valor da compra.”

Para Eva, o acesso ao wi-fi estimularia a comparação de preços no ato da compra. “Eu não gosto de passar susto no caixa. Por isso, com o wi-fi grátis seria bem natural ir atrás de outros mercados na internet para fazer essa apuração de preços.”

De acordo com Leandro Saltini, gerente de marketing do supermercado, a instalação do wi-fi não está conectada com uma estratégia comercial, mas sim em oferecer conforto e conectividade para os usuários. “Para se ter uma ideia, não utilizamos nenhum dado fornecido pelos clientes no momento do registro na nossa Rede Livre para quaisquer fins comerciais”, diz ela, afirmando que o único registro necessário para usar a rede se deve exclusivamente por determinação da Lei do Marco Civil da Internet.

Dados fornecidos pelo departamento de tecnologia da informação do supermercado apontam que os picos de trafego de usuários conectados a rede de wi-fi livre seguem os padrões de datas de maior consumo, como o quinto dia útil do mês, feriados e datas comemorativas com forte apelo comercial.

A tradição de comparar preços de maneira analógica acompanha a trajetória de ambos os moradores. Antes mesmo da era digital, eles já utilizavam um caderno de compras para auxiliar a aquisição de mercadorias durante a compra mensal. Ainda hoje, esse hábito se mantém, ao passo que o celular, segundo os usuários ainda pode ser mais explorado, a partir da criação de serviços de comparação de preços online, que estimule o uso da internet dentro dos mercados das periferias.

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