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Quebrada Tech

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Pesadelo! Quem depende do bilhete único sofre com sinal de internet ruim

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14/08/2019 04h00

Os alertas de "off-line" e "tente novamente" são constantes nas tentativas de validação de recarga de bilhete único

Moradores das periferias de São Paulo que usam aplicativos para recarregar o bilhete único de transporte reclamam da falta de sinal de internet para validação de crédito em linhas de ônibus que circulam pelas quebradas da zona sul, resultando em diversos incômodos e interrompendo até o trajeto no transporte público

Por Tamires Rodrigues

Durante a semana, Isabella Damas, moradora do Jardim Ângela, bolsão populacional localizado na zona sul de São Paulo, divide sua rotina entre casa, trabalho e faculdade. Ela se desloca entre o bairro, a estação da Sé e Guarulhos. Durante esse itinerário, Damas se viu desconfortável diante de uma situação.

"Eu carreguei o meu bilhete pelo aplicativo da Rede Ponto Certo e fui validar no ônibus, mas a máquina estava sem sinal", relembra.

Após a falha do equipamento, a usuária do transporte público relata que foi constrangida pelo cobrador, que fez comentários alegando que ela estava fazendo isso propositalmente para não pagar a passagem. "Eu até cheguei a falar que eu mostraria o comprovante para ele", complementa.

Depois do ocorrido, Isabella ressalta que não se sente mais à vontade em usar aplicativos de recarga para comprar passagens no bilhete único: "Eu parei de carregar pelo aplicativo; agora eu sempre carrego na moça da banca aqui perto de casa, porque eu tenho medo de acontecer isso novamente.''

Embora os aplicativos facilitem o processo da compra de créditos para o bilhete único, a validação da recarga precisa ser realizada em um posto de atendimento da SPTrans, disponíveis em comércios e terminais de ônibus que possuem pontos de auto-atendimento. Ou a recarga pode ser feita diretamente na catraca do coletivo. E aqui mora o problema, como já foi relatado no caso da Isabela.

Como nos horários de pico os moradores da quebrada andam sempre na correria, principalmente quando eles trabalham nas regiões centrais da cidade, o equipamento disponível na catraca do coletivo acaba se tornando o principal meio para validação de crédito.

Do outro lado da zona sul, Laura da Silva, moradora do Jardim Embura, vê a recarga pelo aplicativo como uma maneira mais prática e ágil para fazer viagens pela cidade, pelo fato de a região onde ela mora não ter pontos fixos de recarga de bilhete único.

"Eu já consegui carregar no ônibus algumas vezes, só que às vezes ele tem muitas surpresas, e a gente fica meio insegura de carregar pelo celular porque a gente não sabe se vai conseguir validar", conta ela.

Para a moradora usar outra alternativa, além do aplicativo, ela precisaria pegar uma condução até o comércio mais próximo de sua casa para carregar o bilhete. "Lá tem uma vendinha que carrega bilhete, mas teria que ir de ônibus. Se eu estiver sem crédito no bilhete, é impossível, né?'', afirma ela, reforçando que o uso do aplicativo ainda é o caminho mais fácil para conseguir ter o direito à cidade e ao transporte.

A equipe do Quebradatech entrou em contato com a SPTrans para entender como a empresa está pensando soluções para o problema que vem se repetindo em diferentes linhas e bairros da periferias de São Paulo, mas fomos informados por telefone que até o nosso contato "a empresa não tinha recebido nenhuma reclamação referente a esse tema; sendo assim, não poderia responder o porquê das máquinas de validação de crédito ficarem sem sinal na periferia".

Segundo a empresa que administra o transporte público na cidade, para saber o motivo das falhas nos equipamentos de recarga é preciso saber o prefixo das linhas de ônibus que estão com o problema, para fazer uma análise no sistema e por fim uma reparação. Portanto, caso você more em São Paulo e tenha passado por um problema idêntico, entre em contato com a SPTrans pelo telefone 156, ou neste link, indicando o número do prefixo da linha de ônibus da ocorrência.

Enquanto isso, o acesso à mobilidade e os recursos tecnológicos provenientes dela ainda limitam a circulação dos moradores das periferias pela cidade e até pelo próprio bairro.

Sobre os autores

O Desenrola E Não Me Enrola é um coletivo de produção jornalística que atua a partir das periferias de São Paulo, investigando fatos invisíveis que geram grandes impactos sociais na vida dos moradores e moradoras dos territórios periféricos.

Sobre o Blog

Como a vida dos moradores das periferias vem sendo impactada pela revolução digital que transformou as relações sociais, econômicas, culturais e políticas? É isso que o coletivo de jornalismo Desenrola E Não Me Enrola vai contar aqui no blog, trazendo histórias diretamente de quebrada para você conhecer de maneira mais aprofundada esse contexto social que mescla recursos mobile, consumo, comportamento, redes sociais e inovação. Site: https://desenrolaenaomenrola.com.br/