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Como pequenos empreendedores estão levando internet para as quebradas de SP

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02/10/2019 04h00

Você já ligou numa operadora de internet para solicitar um pacote de dados melhor e recebeu como resposta que a sua área não tinha alcance de rede? Essa é uma rotina comum na vida de moradores das quebradas de São Paulo. Em resposta a esse cenário, as periferias estão vivenciando o surgimento de pequenos fornecedores de fibra óptica para suprir essa lacuna deixada pelas grandes operadoras. 

Por Tamires Rodrigues

Foi atento a essa demanda que o empreendedor Ascanio Caracciolo viu uma oportunidade de negócio em sua vizinhança. Decidiu levar o serviço de fibra óptica até os moradores do Jardim Planalto, bairro da zona sul de São Paulo, por meio da Express Network, empresa que oferece planos de internet acessíveis na região.

Tudo começou em 2007, quando Caracciolo comprou um notebook. Nesta época ele já tinha o desejo de conseguir usar sua internet em outros lugares sem a necessidade de conexão com fios. Começou a pesquisar e encontrou uma antena chamada Omni, uma tecnologia omnidirecional, que permite aumentar o alcance de sinal da rede.

O fato do empreendedor ter usado o próprio nome como perfil de acesso a essa rede móvel começou a atrair os olhares dos vizinhos, que perguntavam se ele redistribuía o acesso para outras pessoas. A partir daí começou o seu primeiro modelo de negócios baseado na venda de internet, que resultaria mais tarde no surgimento da Express Network.

"Nesse tempo eu montei uma torre de distribuição de internet. E com o tempo, o pessoal ia me pagando, eu passava de porta em porta", relembra Caracciolo.

Durante esse período ele observou uma riqueza que ainda não era explorada por grandes empresas de internet na periferia: tinha muita procura e pouca oferta de serviços de banda larga de qualidade na região. A lacuna fez com que ele saísse atrás de recursos para conseguir expandir seu negócio.

Primeiro, ele tentou uma liberação de crédito com os bancos, mas não foi aceito. Mesmo assim não desistiu e começou a investir todo salário do mês em seu sonho. Na época, o empreendedor trabalhava no suporte técnico da Telefônica, umas das maiores fornecedores da internet no Brasil.

Com o tempo a empresa foi ganhando credibilidade, conquistando territórios e principalmente se regularizando. No início, a estrutura dos serviços era realizada à base de internet via cabo. Segundo o empreendedor, esse formato tem suas desvantagens, pois com o tempo a estrutura pode sofrer danos (com as descargas elétricas, por exemplo) e causar muitos prejuízos.

Dois anos atrás, ele deu início ao processo de migração para fibra óptica, mudança de operação que trouxe um crescimento exponencial para a empresa. "A gente já investiu bastante. Montamos uma sede e estamos até atendendo outros municípios", afirma, ressaltando o impacto da implementação da fibra.

Atualmente, a empresa atende bairros do extremo sul de São Paulo, que pertencem aos distritos Jardim Ângela e Capão Redondo. O município de Itapecerica da serra também faz parte do raio de atendimento da Express. Para o futuro, o empreendedor já almeja expandir para regiões do interior de São Paulo, em locais onde as grandes operadoras não consideram relevante sua presença.

A fornecedora de fibra óptica conta hoje com uma média de dois mil clientes, que utilizam os planos que variam de 40 a 90 megas de velocidade. O plano mais barato custa R$ 79,99 e o mais caro sai por R$ 179,99.

"O nosso forte é atender locais em que as operadoras não chegam", diz Caracciolo, enfatizando que um dos diferenciais da sua atuação é a agilidade no atendimento, devido ao fato de seus clientes residirem próximos ou até mesmo na mesma rua do escritório da empresa, o que facilita atender e dar um suporte com maior rapidez. Para isso, a Express conta 12 funcionários.

Outra medida tomada pela empresa para garantir mais agilidade para sanar dúvidas e realizar suportes técnicos foi adotar o uso do WhatsApp como um canal direto de comunicação com os clientes.

"Quando o cliente liga a gente já responde na hora, tem o pessoal do escritório que fica no WhatsApp. Aqui em meia hora o técnico já está na casa do cliente", finaliza o empreendedor.

Sobre os autores

O Desenrola E Não Me Enrola é um coletivo de produção jornalística que atua a partir das periferias de São Paulo, investigando fatos invisíveis que geram grandes impactos sociais na vida dos moradores e moradoras dos territórios periféricos.

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Como a vida dos moradores das periferias vem sendo impactada pela revolução digital que transformou as relações sociais, econômicas, culturais e políticas? É isso que o coletivo de jornalismo Desenrola E Não Me Enrola vai contar aqui no blog, trazendo histórias diretamente de quebrada para você conhecer de maneira mais aprofundada esse contexto social que mescla recursos mobile, consumo, comportamento, redes sociais e inovação. Site: https://desenrolaenaomenrola.com.br/

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