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Quadra e até juiz! Plataforma ajuda boleiros a jogar sem sair da periferia

Quebrada Tech

11/12/2019 04h00

 

(Foto: Tamires Rodrigues)

A Joga atua como intermediadora entre os boleiros e o dono da quadra ou de campo de futebol localizados na periferia de São Paulo e, assim, facilitar a vida da galera que quer se encontrar, jogar bola e até fazer um churrasco

Por Tamires Rodrigues

Uma quadra ou um campo de futebol no meio da quebrada influenciam a maneira como moradores convivem e se organizam. A plataforma digital Joga acredita nisso e usou a tecnologia para transformar a magia do esporte em uma oportunidade orgânica de conectar pessoas e gerar renda. A plataforma faz a locação de espaços comunitários para eventos esportivos nas periferias, mas vai além.

A Joga atua como um buscador e indexador de quadras poliesportivas e campos de futebol. Mas na base do projeto está a crença de que o esporte pode mudar as pessoas, facilitando o acesso a espaços esportivos localizados na sua região para que não precisem ir muito longe para curtir momentos de lazer na companhia de amigos.

Na plataforma, o usuário pode buscar a quadra de acordo com a modalidade e região. O resultado mostra a distância exata de onde o usuário está até o local da quadra. O interessado também pode fazer uma pré-reserva, determinando o horário que deseja fazer uso do espaço. A plataforma entra em contato com o dono da quadra para acompanhar a visita.

Uma das histórias inspiradoras para a criação da plataforma aconteceu em um ponto de ônibus no centro de São Paulo. "Tinha várias minas que jogavam basquete no ponto de ônibus comigo. Aí eu perguntei: 'vocês são do centro olímpico?' Elas disseram que sim. Depois perguntei de onde elas eram. 'Lá do Capão Redondo, e tem que pegar três ônibus para vir aqui e treinar, porque a quadra do centro é legal', elas responderam. Foi aí que pensei: 'caraca', três dias por semana as pessoas vão fundo no esporte, mesmo com escola e família"',  lembra Bruno Nunes, cofundador do projeto.

Sem investimentos para contratar uma equipe para ajudá-lo, Nunes mapeou e conheceu as quadras localizadas nas periferias de São Paulo durante o processo de construção da plataforma.

Além de descobrir quadras e campos de futebol que poderiam estar na plataforma, ele considera que transitar por diversos territórios para escutar histórias de moradores se tornou um dos principais diferenciais para o desenvolvimento do negócio.

"Nosso objetivo é facilitar para que a menina do Capão Redondo não precise necessariamente ir até o centro para jogar ou para o cara que joga do lado de casa possa ter algo a mais que precise", diz.

Conectando empreendedores da quebrada

"O nosso público específico é o dono de quadra,  é para quem a gente presta o serviço", afirma. Para lidar com esse público, a plataforma implementou um chatbot. Com a automação a Joga consegue simplificar o processo de tirar dúvidas para todos.

A Joga percebeu que, além do aluguel de quadra, existem outros serviços que possuem forte demanda. Pensando nisso ela se tornou uma intermediadora conectando desde o morador de quebrada que vende espetinho no entorno do espaço ao cliente  que quer montar um evento para final de campeonato.

"A gente viabiliza todos os serviços relacionados. O cliente chega e fala: 'eu quero fazer um jogo, mas não temos uniforme'. A gente vai atrás do uniforme. 'Eu quero fazer um jogo, mas não tem troféu'. A gente vai atrás do troféu. 'Ah, preciso de um juiz'. A gente vai atrás do juiz. 'Eu preciso de um churrasqueiro'. A gente vai atrás também", conta Nunes., enxergando oportunidade de conectar empreendedores de quebrada e gerar renda.

Segundo Nunes, esses empreendedores ainda têm muitas dificuldades para lidar com a tecnologia, por isso, ele procura sempre atualizar a plataforma para que ela seja a mais didática possível.

O criador da plataforma está planejando implementar uma nova tecnologia, em que as pessoas que querem jogar e não tem um time consigam se comunicar através da Joga e formarem um time para disputar campeonatos ou apenas jogar por diversão.

"São as conexões que são feitas através de um treino, de um jogo compartilhado. Tem uma menina que quer jogar, ela treina com outras garotas e de lá sai um time e que pode disputar um campeonato. Você conhece uma pessoa que pode ser sua vizinha e você nem sabia que jogava bola, vôlei ou basquete. A ideia é conectar essas pessoas através do esporte. É um teste, mas acho que tem tudo para dar certo", diz Nunes

Sobre os autores

O Desenrola E Não Me Enrola é um coletivo de produção jornalística que atua a partir das periferias de São Paulo, investigando fatos invisíveis que geram grandes impactos sociais na vida dos moradores e moradoras dos territórios periféricos.

Sobre o Blog

Como a vida dos moradores das periferias vem sendo impactada pela revolução digital que transformou as relações sociais, econômicas, culturais e políticas? É isso que o coletivo de jornalismo Desenrola E Não Me Enrola vai contar aqui no blog, trazendo histórias diretamente de quebrada para você conhecer de maneira mais aprofundada esse contexto social que mescla recursos mobile, consumo, comportamento, redes sociais e inovação. Site: https://desenrolaenaomenrola.com.br/

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